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Estamos chegando no terceiro milênio. Mais do que isso, estamos
chegando ao fim do século 20, o século do automóvel. E quais
são os veículos do século 21? O que eles têm de especial?
Nada que os veículos atuais já não tenham. Bem, os projetos
de estradas inteligentes, onde automóveis especiais podem
circular sem a ajuda de um motorista, por exemplo, ainda não
foram postos em prática, mas na realidade não são mais que
outras tecnologias aplicadas nos carros, que têm cada vez
mais a eletrônica embarcada.
O motor? Continua o mesmo,
com cilindros, pistões e combustível. A transmissão idem.
Os freios ainda são a disco, pois não surgiu nenhuma outra
maneira de parar um automóvel do que bloquear suas rodas.
É verdade que os carros atuais têm muitos air bags, na frente,
dos lados, em cima e em baixo, sensores de chuva, medidores
de temperatura, ABS, EPS, GPS e muitos outros sistemas que
ajudam na segurança e na eficiência da máquina, mas no fundo
o automóvel continua como ele sempre foi. Do ponto de vista
aerodinâmico, ele passou do estágio onde isso nem era considerado
para uma grande infuência nas suas linhas, retrocedendo para
um ponto ideal onde o conforto dos seus ocupantes ficasse
em primeiro plano.
O carro do futuro, então,
provavelmente será muito parecido com o atual. É muito divertido
voltar um pouco no tempo, nos anos 50 ou 60, quando os automóveis
eram mais obras de arte do que obras de engenharia, e descobrir
como os projetistas imaginavam o carro do futuro. Nesse caso,
o futuro era muito próximo, uns 20 anos, talvez, de modo que
o que eles viam como futuro hoje seria bastante passado.
Automóveis em forma de aviões ou foguetes, grandes mas com
o habitáculo pequeno, às vezes apenas para duas pessoas, fechado
por uma cúpula de vidro. Manche no lugar do volante. Rodas
cobertas. Mas com um rudimentar motor a gasolina, com comando
de válvulas no bloco e um grande e simples carburador. Esse
era o carro do futuro, talvez extraído do seriado Thunderbirds,
onde as marionetes eram mais verossímeis do que seus veículos.
No Brasil tivemos um exemplo
típico: o projetista Rigoberto Soler, juntamente com seus
alunos da Faculdade de Engenharia Industrial, de São Paulo,
criou o FEI-X1, um pequeno veículo para duas pessoas com manche
e uma enorme hélice na traseira, como se ele fosse atravessar
um pântano. Criatividade, muita. Praticidade, nenhuma. Mas
eram assim as idéias na época.
SEGURANÇA
Paralelamente, as indústrias
européias pensavam em aumentar a segurança dos automóveis.
Até então, carro seguro era aquele que batia em uma árvore
e não amassava muito. Independentemente se os ocupantes fossem
"liquidificados" em seu interior. Os primeiros carros "seguros"
eram feios e perdiam em interesse do público para os modernos
carros a jato dos longínquos anos 80 ainda por vir. Ironia,
essa: foi a década que criou os carros mais feios da história.
Mas o tempo foi passando, a moderna engenharia automobilística
recriou o automóvel de "dentro para fora" e hoje temos os
melhores veículos de todos os tempos, mesmo que seja um simples
carro popular. Como será o carro do futuro? Certamente ainda
mais seguro que os atuais.
Publicado na Revista CARRO
número 70, agosto de 1999, página 60
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