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O novo código de trânsito parece que está dando resultado.
Apesar de algumas incongruências, como o caso dos kits de
primeiros socorros, as notícias que nos chegam é que a quantidade
de acidentes vem diminuindo pouco a pouco. Medo da multa?
Ou dos pontos no prontuário? Não importa, o que vale é que
isso é o começo para, quem sabe daqui uns dez ou quinze anos,
termos um trânsito muito mais civilizado. Muitos reclamam
da violência no trânsito atual, e que antigamente era melhor,
mas o que acontece realmente é que hoje existem muitos carros
nas ruas, e apenas isso já é suficiente para que se estabeleça
o caos. É necessário muita ordem e paciência. Eu fico feliz
em ver que alguns motoristas jovens são mais esclarecidos
e mais cuidadosos, e os mais rebeldes no trânsito são justamente
os mais velhos, que se acostumaram a dirigir sem respeitar
o próximo. Eu me lembro muito bem dos meus 18 anos, quando
passei a ser um motorista legalizado, e hoje acho que realmente
não existia uma consciência coletiva pela segurança nas ruas.
Eu dirigia rápido, costurando e treinando minhas habilidades
em público. Às vezes eu até brincava dizendo que não gostaria
de cruzar comigo mesmo pela rua, pois o resultado seria desastroso.
FUSQUINHA 67
Isso
me lembra meu primeiro carro: um Fusquinha 1967, que meu avô
comprou "zero", meu pai tomou dele uns cinco anos depois,
quando ele ficou "barbeiro" pela idade, e eu "tomei" do meu
pai quando tinha 16 anos. Isso
foi em 1976. Fiz o diabo com o carro: motor envenenado, que
"levava" fácil Maverick V-8 e Opala 6 cilindros, suspensão
"socada" no chão e rodas de magnésio. Minha frustação era
não poder instalar um som decente, pois aquele carro velho
era ainda 6 volts. Mas em 1978, já com a carta na mão, comprei
meu primeiro carro zero, um Fiat 147. Esse sim, tinha tudo,
e um sistema de som que, na época, fazia bonito. O toca-fitas
tinha mais quilometragem que o carro, pois era a primeira
coisa que eu ligava ao entrar. Eu nem sabia mais dirigir sem
som. No auge da discoteca, o carro tinha mais fita espalhada
no interior que cavalos no motor. Essa foi também a época
dos acessórios, dos arinhos
nas rodas, dos faróis de milha e outros bichos. Mas não duravam,
pois os ladrões faziam a festa em qualquer carro estacionado.
Lembro que economizei muito para comprar um par de faróis
de milha, que foi roubado na primeira noite. Era comum também
roubarem o estepe: o ladrãozinho olhava o pneu do carro, geralmente
um Passat TS, verificava se era o tipo que ele queria e arrombava
o porta-malas. Até as laterais das portas eram roubadas, pois
continham alto-falantes e tweeters, coisa valiosa. Eu não
acreditei um dia, quando no estacionamento da Escola Politécnica,
onde eu estudava, e vi um colega meu coçando a cabeça meio
desnorteado: haviam roubado a porta esquerda do seu carro!
Audaciosos.
EVOLUÇÃO
Hoje as coisas estão um pouco diferentes, já não se vê carros
muito equipados por aí, pois os jovens já aceitam um carro
original de fábrica. Acessório, agora, só de fábrica, como
ar-condicionado. Eles também dirigem com mais cuidado, provavelmente
para se defenderem dos motoristas mais velhos, que continuam
desrespeitando as leis e os outros motoristas. E o som de
seus carros são mais modernos, com disqueteiras de CD no porta-malas
ou os novos Mini-Disc no painel. Grande evolução, em todos
os sentidos. Tenho até saudades do tempo em que eu realmente
"fuçava" nos automóveis. Ah! Do meu primeiro carro, o Fusquinha
1967, eu não tenho saudades, pois tenho ele até hoje. E totalmente
original.
Publicado na Revista CARRO número 65, março
de 1999, página 52
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