| |

Já tem um mês que eu venho ouvindo gozações
por todos os lados, em qualquer lugar que eu vá. "Cuidado,
ele está contaminado!", dizem os amigos, em tom
de brincadeira. O "Vírua da Ferrugem" deu
ibope. Mas eles estão certos, o bichinho pega mesmo
e é altamente contagioso. Cansei de ser tachado de
"zé tranqueira" por pessoas que hoje são
tanto ou mais fanáticas por carros e coisas antigas
do que eu.
A história mais triste
é a do colega Ricardo Caruso: vivia uma vida tranqüila
até que eu ofereci a ele a oportunidade de comprar
um Chevrolet 55 de uma velhinha, negócio de ocasião.
Isso faz uns 10 anos. Ele não queria de jeito nenhum,
mas para não perder essa oportunidade, já que
eu queria o carro e não tinha mais lugar para guardá-lo,
convenci-o a ficar com ele e depois, talvez, vendê-lo
para mim. Ele nem quis dirigir o carro.
Pouco tempo depois, ele
comprou todos os Chevrolet 55 da cidade e mais umas 20 outras
tranqueiras de todos os tipos, tornando-se um especialista
no assunto. É claro que eu tenho remorso por estragar
assim a sua vida, mas o coitado até está feliz!
E eu fiquei sem o carro.
Mas essa doença é internacional,
e não ataca apenas em países em desenvolvimento.
A diferença está apenas na organização.
Se existe um lugar iluminado na face da terra, esse é
um museu de automóveis. Recentemente pude conhecer
o Museu da Honda, situado nas novas instalaçoes da
marca em Motegi, a uma hora de Tóquio, e constatei
que também existe muita história na indústria
automobilística japonesa.
Celebrando 50 anos desde sua primeira motocicleta,
a Honda inaugurou o Twin Ring Motegi, um complexo que reúne
uma pista oval para Fórmula Indy, um circuito com três
traçados diferentes para todas as categorias, inclusive
Fórmula 1 (sendo que dois deles podem ser utilizados
simultaneamente, com boxes independentes), três pistas
de kart, centro de pilotagem, centro tecnológico, restaurantes,
hotel, lojas, muito verde e, o principal, o museu. Lá
dentro, três andares com muitos carros, motos e motores,
para qualquer pessoa normal ficar babando. Os primeiros Fórmula
1 da Honda, dos anos 60, a concorrência, como o Lotus
Clímax, os melhores esportivos já fabricados
pela marca e todas as motocicletas e scooters produzidos até
hoje. Mas no final acabei sentindo muito a falta de alguma
coisa, que me deixou incomodado: lá não havia
ferrugem!
Publicado na Revista CARRO número 63, janeiro
de 1999, página 38
|
|