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Já ouvi muita discussão sobre a tão esperada
virada do milênio. Até já participei de
algumas. Quem acha que o terceiro milênio começa
à meia-noite do dia 31 de dezembro de 1999, vai descobrir
que precisará esperar mais um ano inteiro para isso.
Mas desencanei: o que vale mesmo é a festa de entrada
do ano 2000, independentemente
do nome que se dá para o dia seguinte. E no ano que
vem tem mais. Mas não estou falando, aqui, da contagem
iniciada pelo Papa Gregório à toa. É
que estive pensando nos automóveis criados nestes últimos
100 anos, imaginando qual deles vai ser eleito o Carro do
Século. São vários os candidatos, mas
eu já tenho o meu escolhido: o Fusca. Há também
o Ford Modelo T, com 15 milhões de unidades produzidas,
e o VW Golf, que completa 25 anos de sucesso. Mas o querido
Fusca foi muito além desses números: 20 milhões
de carros espalhados pelo mundo e quase 70 anos de vida, desde
o primeiro protótipo de 1932 até o New Beetle.
É engraçado, hoje, descobrir que muita gente
nunca entrou em um Fusca, enquanto outra multidão não
só aprendeu a dirigir com ele, como também deu
seu primeiro beijo dentro de um deles, além de ter
passado muitas outras "primeiras vezes" a bordo
do carrinho. Eu faço parte dessa segunda metade da
população, apesar de ter aprendido a dirigir
em um luxuoso FNM JK. Mas, com 15 anos, meu primeiro carro
oficial foi um Fusca 1967, comprado "zero" pelo
meu avô, oito anos antes. Meu pai herdou o carro, e
eu roubei. Tenho ele até hoje, ao lado de um Fuscão
1972 "zerado". Mas não preciso contar as
histórias que passei com o carropara declarar meu amor
pelo Fusca. Antes mesmo desse carro, cresci às voltas
com Fuscas, inclusive nas pistas, como mostram as fotros abaixo.
Os Fuscas amarelos da escola de pilotagem dos anos 60 ainda
eram 1200, e o "penico" da Divisão 3 assustava
pelo ronco e pelo desempenho. Mas o fato é que ninguém
que não tenha convivido com esse carrinho poderá
mesmo entender porque alguém pode pagar R$ 60 000 pelo
New Beetle, carro que tive a oportunidade de experimentar
hoje. Não se trata de um Fusca, uma vez que o novo
carro não guarda nenhuma semelhança mecânica
com seu antepassado, e também descobri que dirigi-lo
não traz nenhuma lembrança do modelo antigo.
Mas o New Beetle - que eu insistentemente chamava de Fusca
até ser repreendido pelo pessoal da Volkswagen - certamente
é uma forma de reviver e preservar algo que significou
muito a muitos. Viva o carro do século! e do milênio.




Publicado na Revista CARRO
número 74, dezembro de 1999, página 18
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